Retalhos (Parte 3)

Marcelo ficou bastante assustado com a presença dos três policiais ali. Sarah percebeu e disse:

– Fique tranquilo. Eu e meu parceiro só queremos saber sobre sua relação com Janaína, como vocês se conheceram e quando você a viu pela última vez.

Giuliano saiu do carro, foi até o rapaz e disse:

– Queremos encontrar quem fez essa barbárie, cara. E sabemos que você pode nos ajudar a descobrir quem fez isso. Você precisa nos ajudar. Faça isso pelo que você sentia por ela.

Marcelo era um jovem de cerca de 20 anos, pele clara, olhos e cabelos escuros. Na presença dos três policiais, porém, ele estava um tanto assustado, se assemelhando a uma criança de 10 anos e não parecia querer responder muita coisa. Ele olhou para o delegado Soares que saía do carro, respirou fundo e finalmente disse:

– Não sei de mais nada além do que já disse na delegacia.

– Calma, filho! – disse Soares – Esses dois não ouviram o que você disse e talvez tenham algumas perguntas. Eles querem te ajudar a descobrir quem matou sua namorada, rapaz! Eles vieram de São Paulo para ajudar a gente!

Marcelo titubeou um pouco e começou a falar:

– A madrasta de Janaína era muito ciumenta e tinha raiva dela. O pai vivia comprando presentes para ela, mas ela não gostava que ele gastasse dinheiro com Janaína. Ela odiava minha namorada pois ela parecia muito com a mãe.

– E onde o pai dela está? – perguntou Sarah.

– Ninguém sabe. Ele sumiu uns dias antes dela aparecer morta. A madrasta dela fez a queixa de desaparecimento e até agora ninguém sabe onde ele está.

– E a madrasta está onde? Qual o nome dela? – perguntou Giuliano.

– Ela se chama Neusa e mora na rua de baixo, número 853. Ela deveria ser presa por matar minha namorada!

– Não temos prova suficiente contra ela e você sabe disso, Marcelo. – disse Soares.

– Vocês querem vê-la me acusando até conseguir convencer todo mundo que eu matei minha namorada. – gritou Marcelo enquanto abria o portão de madeira e ameaçava entrar.

Giuliano assumiu o controle da situação e disse:

– Pelo contrário, cara! Se diz que é inocente, nós acreditamos e estamos aqui para te ouvir e ajudar a provar que a madrasta da sua namorada é culpada. Queremos encontrar quem fez essa crueldade com vocês dois. Queremos ajudar você a se vingar de quem fez isso.

Giuliano se aproximou de Marcelo. Ele fechou o portão de madeira e sentou na calçada. Giuliano sentou ao lado dele e disse:

– Sabe, cara. Eu sei como é perder alguém que a gente ama. Minha mulher foi embora no fim de semana. Claro que sua dor é infinitamente maior, mas o sentimento de perda é horrível. E foi por isso que vim te ajudar a resolver isso.

Sarah e Soares se afastaram dos dois e começaram a caminhar em direção ao carro. A investigadora disse:

– Vou atrás dessa tal de Neusa enquanto Giuliano conversa com ele. Me acompanha?

– Claro! Vamos lá! – disse Soares.

Os dois começaram a caminhar em direção à rua indicada por Marcelo que estava sentado ao lado de Giuliano. O jovem olhava para o chão enquanto Giuliano olhava fixamente para ele. De repente ele começou a chorar e disse:

– Eu gostava muito da Janaína. Não sei como isso tudo foi acontecer com a gente. Ela gostava de mim. Queria ter protegido ela da madrasta mas… não fui capaz!

– Protegido do quê? – indagou Giuliano.

– A madrasta estava ameaçando ela há muito tempo. Eu deveria ter tirado ela de lá. Eu… eu fui um fraco!

– Quando você viu Janaína pela última vez?

– Ela estava aqui em casa uma semana antes de encontrarem o corpo dela. Estava chovendo muito forte e eu disse para ela dormir aqui. Mas ela se negou. Disse que se a madrasta soubesse que ela dormiu na casa de um homem, iria bater nela. Ela tinha muito medo. Aí levei ela para casa com o guarda-chuva da minha mãe, nos despedimos com um beijo e no dia seguinte à noite, quando voltei do trabalho, ela não estava em casa. E não apareceu mais.

– Vocês se viam todos os dias?

– Sim. A gente ficava no portão da casa dela conversando, trocando carinhos. No fim de semana a gente saía, fomos no… no…

– Onde vocês, foram? Pode falar sem medo. Sou homem também e entendo dessas coisas. – disse Giuliano com um sorriso sacana.

– A gente ia em um motel no centro da cidade. Ela sempre dizia que ia no cinema com amigos e a gente se encontrava no centro da cidade e… o resto você sabe!

– Tá, tudo bem. Podemos pular essa parte! Janaína tinha uma boa relação com o pai?

– Sim. O pai dela a amava. Vivia comprando presentes e tudo…

– Então… Por qual motivo ele sumiu e logo depois Janaína apareceu morta?

– Isso ninguém sabe dizer. Só sabemos que ele sumiu durante a noite e não mais deu notícias. Do mesmo jeito que aconteceu com Suzana, a mãe de Janaína.

– E como a mãe de Janaína simplesmente sumiu?

Marcelo respirou fundo, olhou para o céu e disse:

– Ela simplesmente sumiu e nunca mais foi vista.

Giuliano pensou um pouco e disse:

– Você pode me levar aonde o corpo de Janaína foi encontrado?

– Claro.

– Então vamos para o carro.

Giuliano se levantou seguido por Marcelo e foram em direção ao carro. Enquanto isso, Sarah chegou na casa de Neusa e tocou a campainha. Logo uma mulher loura e mal vestida apareceu e disse:

– Pois não?

– Gostaria de falar com a senhora Neusa. Meu nome é Sarah e sou investigadora da polícia e…

– Não tenho nada para dizer para um bando de safado que quer me incriminar por algo que eu não fiz.

Neusa entrou e bateu a porta de entrada da casa.

Sarah olhou para o chão e resmungou:

– Acho que isso vai ser mais difícil do que imaginei.

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